domingo, junho 04, 2017

Budens, 1875 (ano de seca grave)

Em 1874 e 1875, o Algarve foi assolado por uma seca extrema. Vivendo essencialmente de uma agricultura de subsistência, a falta de chuva trouxe o espectro da fome à Região.
Segundo o jornal Gazeta do Algarve, que se publicava em Lagos, foi ordenado ao governador civil, o advogado José de Beires (Lamego, 1825-Lisboa, 1895), que percorresse todo o distrito com o objectivo de colher informações exactas acerca dos prejuízos causados pela falta de chuvas.
Eis o seu relatório sobre Budens, publicado no periódico, após visita que teve lugar entre 23 de Maio e 10 de Junho de 1875:
“N’esta freguezia, como nas outras do concelho, cultiva-se apenas o trigo, cevada, raros centeios, grão, chicharo e milho. É, porém, no trigo que consiste a sua principal riqueza agrícola.
Apresentaram-se as searas com magnifico aspecto no principio do anno, e attingiram pela maior parte um desenvolvimento superior ás searas dos outros concelhos, especialmente nas chamadas — terras de dentro — terrenos baixos e verdes, que são por isso menos exigentes de copiosas chuvas. Mas, a final, a prolongada estiagem tolheu n’umas o completo desenvolvimento da espiga e produziu n’outras a sua morte prematura, restando apenas n’estas o feno e algum grão mirrado. Calcula-se que ainda assim a média da producção será de 50 por cento d’uma colheita regular. Das sementeiras serôdias nem a semente se espera”.
Fonte: Sul Informação

quinta-feira, maio 25, 2017

Budens a caminho da desertificação humana?

De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE)  a evolução do número de habitantes da freguesia de Budens tem vindo a diminuir desde o início da década de 20 do século anterior.
Actualmente, vivem aqui menos 90 pessoas do que em 1864. Caso para se perguntar: encontra-se Budens a caminho da inexorável desertificação humana? E, se sim, que medidas têm sido tomadas para se inverter esta tendência claramente calamitosa?

sexta-feira, março 17, 2017

Recordando Noé Girão

Noé Neves Girão Rosado, natural de Budens, onde nasceu em 1939, teve na pesca a sua forma de subsistência.
Encontrando-se na situação de Guarda Marinha da Reserva Marítima, inscreveu-se em 1957 no Grémio de Armadores de Navios da Pesca do Bacalhau, criado «pelo DL nº 26 106, de 23 de Novembro de 1935 e que era constituído pelas entidades singulares ou colectivas dedicadas à indústria da pesca do bacalhau».
Nesse ano, exerceu a função de Imediato do malogrado lugre a motor «Labrador», navio que viria a naufragar a 25 de Agosto de 1958, quando navegava a cerca de cem milhas do Cabo Race, na Terra Nova (ler aqui a recordação desse naufrágio).
Em 1958, foi Piloto do lugre com motor «Creoula», navio de aço construído em 1937, com 57.77 m de comprimento e onde labutava uma tripulação de 62 homens, na pesca à linha com dóris.
Até à reforma, foi comandante de vários navios de pesca, tendo exercido a sua actividade pelos «Sete Mares», da foz do Amazonas ao Japão, pelo Mar do Norte e ao longo da Costa Africana
Na fotografia, no sentido dos ponteiros do relógio, (1) a declaração prestada em 1957 ao Grémio, (2) Noé e a esposa Edmunda em convívio com os amigos Mesquita, em Lagos, (3) Creoula a todo o pano e (4) lugre Labrador.

quarta-feira, março 15, 2017

Budens, 1953

Era assim a actual Rua 25 de Abril, em Budens, no já longínquo ano de 1953. 
Das seis pessoas que aparecem nas fotografias, reconhece-se Margarida Mesquita, que tinha nesta aldeia algumas amigas de infância. E as outras? Quem são?

segunda-feira, março 13, 2017

José Ferreira, de Budens, na «Faina Maior»

José Joaquim da Costa Ferreira, nascido em 1943, na freguesia de Budens, foi um dos muitos homens portugueses que trabalhou na pesca do bacalhau, também conhecida por «Faina Maior» Esta é assim apelidada dada a grande dureza e perigosidade que a envolvia.
Conhecemo-lo já retirado das «lides do mar», mas sempre bem recordado do muito que «penou» numa vida feita em cima de água, quer no Atlântico Norte, quer a Sul da linha do Equador.
Amigo do seu amigo, brincalhão, sempre disposto a ensinar o que aprendeu na vida, grande amante do fado, José Ferreira abandonou a nossa aldeia para junto da família mais próxima, em Lagos.
Mas temos saudades das suas muitas «estórias» e do sempre agradável convívio, Mestre Zé Ferreira...
Informação e imagens retiradas desta ligação.
Mais informação sobre a «Faina Maior», pesca do bacalhau: aqui (Fernando Rosas, RTP) e aqui (documentário do National Geographic).

quinta-feira, março 09, 2017

domingo, fevereiro 05, 2017

«Neve» na aldeia

E ciclicamente, em ritual anual que se espera perpétuo, a «neve» algarvia volta a cobrir as amendoeiras da nossa aldeia...